Estudo Eletrofisiológico e ablação por rádio frequência

O coração é um órgão ativado por estímulos elétricos, sendo composto por quatro câmaras, que funcionam como uma bomba propulsora de sangue. Esta bomba bate cerca de 100 mil vezes por dia, devendo ser eficaz durante toda a nossa vida. As paredes musculares de cada câmara se contraem em uma seqüência precisa, impulsionando um volume máximo de sangue com o menor consumo possível de energia.

A contração das fibras musculares do coração é controlada por uma descarga elétrica que flui através de vias distintas, em uma velocidade controlada. A descarga rítmica que inicia cada batimento cardíaco origina-se no marcapasso natural do coração, chamado de nó sinusal ou sinoatrial, situado na parede do átrio direito. A freqüência da descarga é influenciada pelos impulsos nervosos e pelos níveis de hormônios que circulam na corrente sangüínea.


O sistema elétrico do coração

O nó sinusal ou sinoatrial inicia um impulso elétrico que flui sobre os átrios direito e esquerdo (câmaras cardíacas superiores), fazendo que estes se contraiam. O sangue, imediatamente será deslocado para os ventrículos (câmaras cardíacas maiores e inferiores). Quando o impulso elétrico chega ao nó atrioventricular, isto é, da estação intermediária do sistema elétrico, este impulso sofre um ligeiro retardo. Em seguida, o impulso dissemina-se ao longo do feixe de His, o qual se divide em ramo direito direcionado para o ventrículo direito, e em ramo esquerdo para o ventrículo esquerdo. Este último é dividido em dois fascículos: o ântero-superior esquerdo e o póstero-inferior direito.

Em seguida, o impulso atinge os ventrículos, fazendo com que estes se contraiam (sístole ventricular), permitindo a saída de sangue para fora do coração. O ventrículo esquerdo ejeta o sangue para o cérebro, músculos e outros órgãos do corpo humano. O ventrículo direito ejeta o sangue exclusivamente para a circulação do pulmão, para que este sangue seja enriquecido com oxigênio.


Arritmia cardíaca

A freqüência cardíaca (FC) não responde só a ação do exercício e ao estado de repouso, mas também a estímulos como a ação de medicamentos e a situações fisiológicas, como por exemplo, a dor, ansiedade ou excitação sexual (taquicardia sinusal). Apenas quando a FC está elevada (taquiarritmias) ou baixa (bradiarritmias) ou ainda , quando os impulsos elétricos são originados ou transmitidos por vias anormais, consideramos a presença de um ritmo anormal, chamado de arritmia cardíaca que podem ser regulares ou irregulares.


Arritmias cardíacas que aceleram o coração

Existem dois grandes grupos de taquicardias: aquelas relacionadas à parte superior do coração e ao nódulo atrioventricular chamadas de taquicardias supraventriculares, e as arritmias relacionadas aos ventrículos câmaras inferiores e maiores do coração sendo denominadas de taquicardias ventriculares.

As taquicardias supraventriculares são ritmos rápidos, geralmente com mais de 120 batimentos por minuto, e são conhecidas como: fibrilação atrial, flutter atrial, taquicardias atriais, nodais, atrioventriculares por vias anômalas como na Síndrome de Wolff-Parkinson-White. As taquicardias ventriculares são também ritmos rápidos e, geralmente, são mais graves que as taquicardias supraventriculares.


Estudo Eletrofisiológico

O estudo eletrofisiológico é um exame que utiliza catéteres especiais, para avaliar o sistema elétrico do coração. Além disso, o estudo eletrofisiológico é parte do procedimento de ablação por radiofreqüência, pois é através deste exame, que é possível descobrir o local de origem de uma arritmia cardíaca. Por isso, este exame é fundamental para descobrir as causas das palpitações.


Ablação por radiofreqüência

É um método de tratamento das taquicardias através do qual, realiza-se a cauterização dos focos das arritmias, localizados pelo estudo eletrofisiológico. A radiofreqüência é uma forma de energia semelhante a de um bisturi elétrico , que é aplicada através de catéteres especiais.


Indicações da ablação por radiofreqüência

A ablação pode ser indicada tanto para as arritmias supraventriculares como, para as ventriculares: taquicardia sinusal inapropriada, taquicardia supraventricular paroxística (ablação do nó atrioventricular), taquicardia atrial, síndrome de Wolf-Parkinson-White, fibrilação atrial, flutter atrial e taquicardia ventricular com ou sem doença estrutural do coração.

A indicação sempre deverá ser discutida com o médico assistente, geralmente se aplica a pacientes que apresentam taquicardia acompanhada de muitos sintomas ou que são difíceis de serem tratadas com medicamentos. Muitas vezes realiza-se a ablação por radiofreqüência, porque o paciente prefere não tomar drogas antiarrítmicas por longo prazo.

Alguns medicamentos deverão ser suspensos de 3 a 30 dias antes do procedimento. Seu médico poderá lhe dar maiores esclarecimentos e informações a respeito. Se você ficar muito ansioso na véspera do exame, poderá tomar um tranqüilizante (calmante), receitado pelo médico.


Orientações

No dia anterior ao exame, faça jejum após as 22 horas. Alguns exames poderão ser suspensos antes do procedimento, procure a orientação do seu médico assistente. No dia do exame é necessário a presença de um acompanhante, de preferência um familiar. No hospital, será feita a depilação na região da virilha direita, esquerda e região torácica, à altura do peito. Será administrada uma medicação pré-anestésica por via oral para tranqüilizá-lo, antes de ser encaminhado à sala de exames.


Procedimentos

O estudo eletrofisiológico e a ablação geralmente são feitos no mesmo dia da internação. O paciente será orientado e preparado pela enfermeira da unidade onde ficará internado e pelos médicos, que esclarecerão todas as dúvidas. No dia do exame, o paciente será encaminhado em maca para a sala de eletrofisiologia onde serão realizados os procedimentos.

Chegando à sala de exames, será recebido pela equipe médica e de enfermagem, que vai prepará-lo. Neste momento, irão conectar o paciente a vários monitores de: eletrocardiograma, aparelhos de pressão arterial, freqüência cardíaca e respiratória. Além disso, o paciente recebe através de uma veia do braço, soro e um remédio que o fará dormir durante o exame. O médico-anestesista estará monitorizando todo o procedimento.

A partir de então, o paciente já dormindo, a enfermeira irá fazer a limpeza da pele utilizando solução anti-séptica na região da virilha direita e esquerda e na região lateral direita do pescoço. Logo em seguida, um dos médicos irá fazer a anestesia local na região da virilha direita e/ou esquerda e ocasionalmente no lado direito do pescoço. Nesses locais é que são introduzidos os catéteres na veia ou na artéria, que serão levados até as cavidades direita, esquerda do coração, guiados pela imagem de Raios X.

Esses catéteres captam os sinais gerados da atividade elétrica do coração, que são registrados em aparelhos especiais polígrafos. Através deles, se fará a ablação por radiofreqüência nos locais selecionados. Não se preocupe, pois para o seu conforto, você estará dormindo durante todo o exame.

O estudo eletrofisiológico dura aproximadamente uma hora e, quando seguido de ablação, a sua duração é variável aproximadamente 2 a 3 horas. Ao término do procedimento, será feita compressão no local da punção por 15 minutos, e você será acordado. A seguir será encaminhado para o quarto. Devendo permanecer com a perna esticada no período de internação, que costuma ser de um dia para o outro.


Riscos

O estudo eletrofisiológico e a ablação por radiofreqüência são considerados métodos muito seguros, mas, como todos os procedimentos invasivos eventualmente podem ocorrer algumas raras complicações. Durante a consulta que antecede a ablação, o médico irá explicar com mais detalhes as possíveis complicações, pois elas variam dependendo do tipo de arritmia cardíaca que você tenha.

A complicação mais comum é o hematoma mancha rocha na pele que pode aparecer no local onde foi feita a punção. Quando os catéteres são retirados, é feita uma pressão para parar de sangrar. Para diminuir a chance de sangramento, o paciente deve permanecer em repouso algumas horas após o procedimento.


Após o procedimento

Será feito um curativo especial no local da punção (virilha), sem precisar dar pontos. O paciente retornará para o quarto em maca, e não poderá dobrar a perna onde foi feito o procedimento. Permanece em repouso absoluto com a perna imobilizada por 6 horas, conforme orientação médica e da enfermagem. Informe a enfermeira se estiver com dor, calor ou sangramento. A alimentação será liberada quando estiver bem acordado. Evite esforços excessivos por um período de 24 horas. A enfermeira e o médico responderão às suas eventuais dúvidas.


Alta hospitalar

O paciente será orientado pela enfermeira quanto aos cuidados com o local da punção, não havendo necessidade de refazer o curativo. Apenas lave-o com água e sabão, mantendo-o sempre seco e limpo. Tome somente os remédios receitados pelo seu médico. Em alguns casos, conforme resultado da ablação, o médico poderá lhe receitar alguns medicamentos. O retorno ao trabalho geralmente ocorre dentro de alguns dias, mas será confirmado com seu médico. Você receberá um relatório completo contendo as informações sobre tudo o que foi realizado.

Em até 5% dos casos, a arritmia cardíaca poderá voltar após a ablação. Nestes casos, procure o seu médico, mas não se esqueça de comunicar sobre o que aconteceu, pois os médicos estarão a sua disposição para qualquer dúvida ou esclarecimento. De maneira geral, recomenda-se a repetição da ablação como o tratamento ideal das recorrências.



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